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Sofismo e Sofistas (8)

• 2263 dias astrás

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Se qualquer um dos sofistas realmente eram idealistas subjetivos isto pode ser posto em dúvida. A conclusão depende, em parte, se Protágoras afirmou que os fenômenos só tinham existência subjetiva, ou se pensou que todas as coisas percebidas tinham existência objetiva, mas foram percebidos de forma diferente de acordo com a natureza do perceptivo e sua relação com ele, ou seja, se ele interpretou fenômenos subjetivamente ou relativamente. É bastante claro, porém, que os sofistas se concentravam em grande parte, sobre o homem e a sociedade humana, sobre questões de palavras em suas relações com as coisas, sobre questões da teoria do conhecimento, e sobre a importância do observador e do elemento subjetivo na realidade e na compreensão correta da realidade.

Esta ênfase ajuda a explicar a hostilidade filosófica de Platão e Aristóteles. Particularmente nos olhos de Platão, quem procura a verdade nos fenômenos apenas, mesmo se este interpreta subjetivamente ou relativamente, não pode esperar para encontrá-la lá, e sua persistência em se afastar da direção certa praticamente equivale a uma rejeição da filosofia e da busca da verdade. Para muitos, para quem a metafísica, ou a investigação da natureza mais profunda da realidade, é o coroamento da filosofia, tem sentido com Platão, que os sofistas eram tão antimetafísicos que eles não têm as qualidades para se classificarem como filósofos. Mas, em um período em que, para muitos filósofos, a metafísica não é mais a parte mais importante da filosofia e é ainda por algum nenhuma parte em tudo, há uma crescente valorização de uma série de problemas e doutrinas recorrentes nas discussões dos sofistas no quinto e no quarto séculos aC. Nos séculos 18 e no início do sec. 19 os sofistas foram considerados charlatães. Sua honestidade intelectual foi impugnada, e suas doutrinas foram acusadas de enfraquecer a fibra moral da Grécia. A acusação foi baseada em duas contendas, ambas corretas historicamente: a primeira, que muitos dos sofistas atacaram o código moral tradicionalmente aceito e, a segunda, que eles exploraram e até elogiaram abordagens alternativas para a moralidade que permitiam um comportamento que era de uma espécie inadmissível sob o código tradicional rigoroso.

Muito menos peso foi anexado a essas acusações desde a metade do século 19. Em primeiro lugar, muitos dos ataques contra a moralidade tradicional estavam em nome de uma nova moralidade que alegou ser de maior validade. Ataques contra determinadas doutrinas frequentemente afirmam que as opiniões aceitas devem ser abandonadas como moralmente defeituosas. Além disso, mesmo quando a ação socialmente desfavorecidas parecia ser elogiada, isso foi feito com frequência para introduzir um princípio necessário em qualquer teoria moral satisfatória. Assim, quando Trasímaco no primeiro livro da República de Platão afirma que a justiça é injustificada quando apenas contribui para outro, e não contribui para o autor da ação, Platão concorda. Finalmente, não há evidências de que qualquer um dos Sofistas foram pessoalmente imorais ou que qualquer um dos seus alunos foram induzidos a acções imorais por ensinamento sofísticos. A discussão séria sobre os problemas morais e da teoria da moralidade tende a melhorar o comportamento, não para corrompê-lo.

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Por: Caio Mariani | www.afilosofia.com.br | caio@afilosofia.com.br | Imagem: 2.bp.blogspot.com

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