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Sistemas Não-Lineares

• 2186 dias astrás

Uma das discussão mais polêmica e atual da filosofia e da ciência é referente a sistemas não-lineares que não entendemos por completo, como por exemplo o sistema: mente. Esses sistemas são atualmente ou talvez sempre serão - isso que iremos discutir - impossíveis de se explicar através das partes que o constituem.

Existem dois pontos de vistas:

Emergência: Os que tratam esses sistemas como complexos, ou seja, produzem propriedades emergentes que estão em escala acima das propriedades das partes. O sistema ontologicamente nunca poderá ser explicado através das partes apenas.

Reducionismo: Os que consideram que ontologicamente o sistema é regido pela ordem das partes, porém, atualmente não temos tecnologia ou conhecimento suficiente para poder explica-los através de suas partes.

Primeiramente gostaria de dizer que não há uma disparidade de diferenças de opiniões, atualmente não há um consenso cientifico a respeito do assunto, e por enquanto estamos no campo de questão de escolha, que muitas vezes é muito mais estética ou desejosa do que outra coisa.

Biologicamente há uma tendência muito grande a abordar o primeiro ponto de vista que torna muito mais prático o trabalho com esse tipo de sistema e atualmente temos um resultado muito mais positivo, como diz Pier:

"A simulação in vitro de propriedades emergentes de sistemas bioquímicos foi comprovada inúmeras vezes, tornando possível a observação experimental do surgimento e formação de sistemas extremamente complexos, auto-organizados e autopoiéticos (Pier Luisi Luigi, The Emergence of Life, Cambridge University Press,2006)." (Roberto G. S. Berlinck e Hamilton Varela in JC 3649, de 26 de Novembro de 2008)

A visão reducionista já é mais bem vinda no mundo da física teórica, a grande maioria dos físicos buscam uma teoria do todo, uma teoria que une a física quântica com a relatividade geral, ou seja, qualquer movimento do universo poderia ser descrito pelas equações que regem o comportamento das partículas subatômicas.

Steven Weinberg, ganhador de um Nobel, escreveu um artigo defendendo o ponto de vista do reducionismo. Um trecho do artigo diz:

" Por exemplo, a visão reducionista enfatiza que o clima se comporta da maneira que ele faz por causa dos princípios gerais de aerodinâmica, o fluxo de radiação, e assim por diante (assim como acidentes históricos, como o tamanho e órbita da terra), mas, a fim de prever o clima futuro, pode ser mais útil pensar sobre as frentes frias e trovoadas. Reducionismo pode ou não pode ser um bom guia para um programa de previsão de tempo, mas fornece o insight necessário que não existam leis autônomas de tempo que são logicamente independente dos princípios da física." - Steven Weinberg - Reductionism Redux

Poderiam dizer que o clima é diferente de sistemas não-lineares como por exemplo mente e cultura, mas não há diferença real entre eles, apenas é muito mais fácil considerar o clima numa visão reducionista do que a mente. Experimentalmente, empiricamente não há diferença real. Não conseguimos prever de forma perfeita o clima, a mente e a cultura.Porém, o clima é mais simples de visualizar que é por conta das variáveis pois não tem tantas como a mente e a cultura, e nestas ultimas, as variáveis são definitivamente muito mais complexas de se controlar do que as do clima. Mas a comparação procede de forma idêntica.

O que deve ser bem percebido é que o debate é referente ao que concebemos ontologicamente e não ao que é mais interessante na prática, ou seja, se existe a possibilidade de sistemas não-lineares inexplicados de serem explicados através das partes, ou se a característica ontológica do sistema é emergente, e este nunca poderá ser explicado através da soma das partes.

Escolho a reducionista, pois prefiro um universo onde suas lógicas ontológicas são derivações das mais básicas, me parece que a visão emergente é muito parecida com a falácia conhecida "Deus de Lacunas", quando não sabemos algo sobre determinado assunto atribuímos algo que irá preencher essa lacuna de conhecimento, o que poderia ser contra-argumentando que não procede pois temos resultados empíricos ao tratar os sistemas com propriedades emergentes, como por exemplo fazemos com o clima.

O ponto que na verdade faz me manter na posição reducionista é que podemos deixar de obter um possível conhecimento sobre determinado assunto, no meu modo de ver a ciência além de ter o objetivo de nos dar informação a respeito da realidade, também tem o objetivo de nos fazer manusear com esta, o que o sistema emergente não permite em sua lógica, pela lógica do raciocínio é impossível se criar um sistema emergente através de partes e controla-lo, o que perde totalmente o foco da ciência.

Essa discussão nos remete a todas as discussões a respeito do livre-arbítrio que são cientificas e filosóficas, a única alternativa para a concepção da existência do livre-arbítrio é a de sistemas emergentes, e a discussão do livre-arbítrio reflete em nossa visão judiciária.

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Por: Caio Mariani | www.afilosofia.com.br | caio@afilosofia.com.br | Imagem: nd.edu

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