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Punho e Balas Categóricas

• 2019 dias astrás

O que os homens fazem quando ficam sem argumentos? Exatamente: saem na pancadaria. A notícia é recente, aconteceu dia 16 de setembro de 2013, na cidade não insignificante russa de Rostov-on-Don, que é famosa por sua bela Rainha Tatiana Nikolaevna Kotova e pelos escaladores radicais como Yuri Vladimirovich Koschelenko. Dois homens estavam conversando em um supermercado sobre Immanuel Kant, mais especificamente sobre um problema da filosofia. O resultado para a vitima não foi apenas ser atingido no rosto por um soco do outro homem, mas também por diversos tiros de borracha que o machucaram muito, quase o levando ao óbito. Ninguém sabe qual foi a causa exata da briga, mas é intrigante imaginar como uma discussão sobre Kant, onde seu imperativo categórico prega que o homem aja como se suas ações devessem tornar-se universais, possa ter acabado de forma violenta.  Na “Crítica da Razão Prática”, Kant postula que um desejo irresistível de fazer algo pode sim ser combatido, imaginando que há uma força na sua frente em que você vai ser pendurado no momento em que o desejo for satisfeito.

Os comentários sobre o incidente russo tem um tom muito óbvio; ironicamente, a discussão de Kant (o imperativo categórico, a razão, A Paz Perpétua e assim por diante), finalizou na violência! Talvez um dos homens tivesse projetos na mulher do outro, em razão kantiana de que o casamento é apenas um "contrato entre dois adultos do sexo oposto sobre o uso mútuo de uns dos outros órgãos sexuais", que pode ser temporariamente suspensos para a duração do curto assunto. Quem sabe? Ou talvez eles estivessem apenas chateados.

O que sabemos é que o oprimido quase perdeu sua vida, um pouco como Christian Garve, que em sua época era ridicularizado como o “filósofo de senhoras”, pois suas ideias tendiam a popularizar e simplificar, fora a acusação de que sua ética não era prática. Kant tentou com seu livro, de fato, definir a ética e a moral. Na teoria pode ter funcionado, mas não é adequado para uma defesa prática. Não sabemos o que teria acontecido se Garve e Kant estivessem fazendo compras em um debate febril e acalorado. O que no fim podemos concluir disso tudo é que a violência não refutou qualquer teoria.

Ah! Mais uma coisa: na Rússia pelo menos se discute sobre Kant, já no Brasil...

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Por: Caio Mariani | www.afilosofia.com.br | caio@afilosofia.com.br | Imagem: cdn.mhpbooks.com