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Psicopatia

• 2351 dias astrás

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a psicopatia é chamada de Transtorno de Personalidade Dissocial e a definição dada por esta é:

Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.

 Na população em geral temos uma média de 0,5-3% de psicopatas, na população presidiária a média sobre para 45-66%. Para se fazer a analise de um individuo e concluir se esta apresenta sinais de psicopatia é realizado um teste psicológico nomeado "Escala de Hare", abaixo temos um resumo desse teste publicado pela Super Interesssante:

A ESCALA DE ROBERT HARE
Psiquiatras dão de 0 a 2 a cada um dos 12 tópicos abaixo, a partir da avaliação clínica e do histórico pessoal do paciente. A soma dos pontos é comparada numa escala, que determina o grau de psicopatia.

1. BOA LÁBIA
O psicopata é bem articulado e ótimo marketeiro pessoal. Como um ator em cena, conquista a vítima bajulando e contando histórias mirabolantes de si. Com meia dúzia de palavras difíceis, se passa por sociólogo, médico, filósofo, escritor, artista ou advogado.

2. EGO INFLADO
Ele se acha o cara mais importante do mundo. Seguro de si, cheio de opinião, dominador. Adora ter poder sobre as pessoas e acredita que nenhum palpite vale tanto quanto suas ideias.

3. LOROTA DESENFREADA
Mente tanto que às vezes não se dá conta de que está mentindo. Tem até orgulho de sua capacidade de enganar. Para ele, o mundo é feito de caças e predadores, e não faria sentido não se aproveitar da boa-fé dos mais fracos.

4. SEDE POR ADRENALINA
Não tolera monotonia, e dificilmente fica encostado num trabalho repetitivo ou num casamento. Precisa viver no fio da navalha, quebrando regras. Alguns se aventuram em rachas, outros nas drogas, e uma minoria, no crime.

5. REAÇÃO ESTOURADA
Reage desproporcionalmente a insulto, frustração e ameaça. Mas o estouro vai tão rápido quanto vem, e logo volta a agir como se nada tivesse acontecido - é tão sem emoções que nem sequer rancor ele consegue guardar.

6. IMPULSIVIDADE
Embora racional, não perde tempo pesando prós e contras antes de agir. Se estiver com vontade de algo, vai lá e consegue tirando os obstáculos do caminho. Se passar a vontade, larga tudo. Seu plano é o dia de hoje.

7. COMPORTAMENTO ANTISSOCIAL
Regras sociais não fazem sentido para quem é movido somente pelo prazer, indiferente ao próximo. Os que viram criminosos em geral não têm preferências: gostam de experimentar todo tipo de crime.

8. FALTA DE CULPA
Por onde passa, deixa bolsos vazios e corações partidos. Mas por que se sentir mal se a dor é do outro, e não dele? Para o psicopata, a culpa é apenas um mecanismo para controlar as pessoas.

9. SENTIMENTOS SUPERFICIAIS
Emoção só existe em palavras. Se namorar, será pelo tesão e pelo poder sobre o outro, não por amor. Se perder um amigo, não ficará triste, mas frustrado por ter uma fonte de favores a menos.

10. FALTA DE EMPATIA
Não consegue se colocar no lugar do próximo. Para o psicopata, pessoas não são mais que objetos para usar para seu próprio prazer. Não ama: se chegar a casar-se e ter filhos, vai ter a família como posse, não como entes queridos.

11. IRRESPONSABILIDADE
Compromisso não lhe diz nada - tende a ser mau funcionário, amante infiel e pai relapso. Porém, como a família e os amigos são fonte de status e bens materiais, para cada mancada já tem uma promessa pronta: "Eu mudei. Isso nunca mais vai acontecer de novo".

12. MÁ CONDUTA NA INFÂNCIA
Seus problemas aparecem cedo. Já começa a roubar, usar drogas, matar aulas e ter experiências sexuais entre 10 e 12 anos. Para sua maldade, não poupa coleguinhas, irmãos nem animais.

Fonte Without Conscience, de Robert Hare, The Guilford Press, 1993; esta é a versão reduzida da Escala de Hare; o dianóstico somente pode ser feito por profissionais treinados.

O interessante é que existem estudos recentes que compravam a relação entre a psicopatia e o cérebro, Uma pesquisa feita por Adrian Raine, um professor de psicologia da Universidade do Sul da Califórnia, revelou que o volume de massa cinzenta no cortex-frontal de condenados era 22,3% menor que o da população em geral e que estes (psicopatas) também apresentavam uma anomalia no hipocampo.

Existem porém psiquiatras que questionam essa relação, Marta Farah, da Universidade da Pensilvânia,  "Diz-se amiúde que não é o cérebro que comete os crimes, mas as pessoas [...]E mesmo que uma imagem cerebral confirme uma dada perturbação, é pouco provável que possa fornecer uma resposta claramente afirmativa ou negativa à questão de saber se o arguido foi ou não responsável por um acto."

O grande problema é que o próprio conceito de responsabilidade sofre uma grande reviravolta conforme o ser humano avança no conhecimento dos processos cerebrais, como por exemplo a relação entre a psicopatia e a estrutura física cerebral, ou mesmo, os estudos neurológicos que vem sendo realizados e apontam para a não existência do livre-arbítrio.

O conceito de responsabilidade passa a necessitar de um novo significado, pois o antigo não se enquadra mais, a responsabilidade deve ser vista com o mesmo conceito de uma peça de uma máquina quebrada, ou seja, o responsável por um crime, é o autor do crime, simples.

Outro ponto que pode ser facilmente usado contra o argumento de Marta, é que não existe diferença entre o cérebro da pessoa e a pessoa, ambos são os mesmos, a não ser que esta esteja sugerindo a existência de algo a mais na tomada de decisões de uma pessoa.

O grande aspecto que deve ser analisado é que psicopatas são raramente inseridos de volta na sociedade, pois o problema é justamente físico, dessa forma punições não afetam as decisões dos mesmo, nem fazem uma tentativa de reforma na maneira destes tomarem decisões, e segundo as pesquisas, possuem grande tava de reincidência criminal, ambas informações trazem a tona o tema da pena de morte.

O assunto é complexo, mas devemos debatê-lo, e ir na direção de estudos objetivos, como esses que vem sendo feito, para conseguirmos entender melhor o comportamento humano e dessa forma estruturar nossos conceitos e nossa sociedade proporcionando uma melhor convivência e segurança para todos.

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Por: Caio Mariani | www.afilosofia.com.br | caio@afilosofia.com.br | Imagem: theredphoenix.files.wordpress.com

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