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Mídia Carcereira

• 2302 dias astrás

Nesta entrevista Pedro Cardoso, ator na série “A Grande Família” da TV Globo, é entrevistado por Pedro Bial a respeito dos paparazzi e suas relações com a sociedade e com as pessoas públicas, questionando também o conceito de pessoa pública.


Cardoso culpa os empresários da imprensa colocando-os como os responsáveis sobre essa indústria fula, tosca e burra onde o seu pior aspecto é privar essas pessoas tidas como públicas de suas vidas privadas, Pedro Bial argumenta dizendo que os culpados são os consumidores dessa indústria. A sociedade realmente tem uma demanda desse produto medíocre, porém, como Cardoso coloca nem toda demanda é interessante para a sociedade.

Para discutirmos esse assunto gostaria de colocar alguns pormenores que nos ajudarão nessa questão.

Temos na Constituição federal de 1988 no seu art. 5º, X:"são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação".

A mídia porém pode publicar determinadas imagens de pessoas públicas sem consentimento desde que não interfira em alguns aspectos que estão melhores definidos abaixo:

"Excepciona-se da proteção à pessoa dotada de notoriedade e desde que no exercício de sua atividade, podendo ocorrer a revelação de fatos de interesse público, independentemente de sua anuência. Entende-se que, nesse caso, existe redução espontânea dos limites da privacidade (como ocorre com os políticos, atletas, artistas e outros que se mantêm em contato com o público com maior intensidade). Mas o limite da confidencialidade persiste preservado: assim sobre fatos íntimos, sobre a vida familiar, sobre a reserva no domicílio e na correspondência não é lícita a comunicação sem consulta ao interessado. Isso significa que existem graus diferentes na escala de valores comunicáveis ao público, em função exatamente da posição do titular (...)";.(BITTAR, Carlos Alberto. Os Direitos da Personalidade. 5 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001, p.108.)

Ainda falta nós definirmos o que vem a ser uma pessoa pública, sem fugir desse ponto importante temos que uma pessoa pública é: “aquela que se dedica à vida pública ou que a ela está ligada; esse conceito engloba também os que exercem cargos políticos ou cuja atuação dependa do reconhecimento das pessoas ou a elas seja voltado, mesmo para lazer ou entretenimento, independente do lucro ou caráter eminentemente social.” (SILVA JUNIOR, Alcides Leopoldo e. A pessoa pública e o seu direito de imagem: políticos, artistas, modelos, personagens históricos… São Paulo: Juarez de Oliveira, 2002, p.89.)

Agora vamos para a análise filosófica da permissão desse maior grau nos valores comunicáveis das pessoas públicas para a sociedade , é preciso ficar claro que a criação de leis tem como escopo a saúde e o bem estar da sociedade, dessa forma, subentende-se que só é interessante para a sociedade conhecer a vida das celebridades quando analisamos do ponto de vista do entretenimento, assim como pode ser interessante do ponto de vista do entretenimento a promoção de lutas onde só termine quando um dos lutadores morrer, poderia até mencionar brigas de galo que já ocorrem ilegalmente.* 

A parte negativa que nos faz questionarmos essa permissão e que foram abordados pelo Cardoso, é a privação da vida privada desses personagens que são perseguidos pelos paparazzi. Essas informações, que na verdade são fofocas, não produzem nenhum conhecimento útil para os indivíduos sociais, que poderiam estar focados em outros assuntos que tornariam a sociedade mais coesa e forte.

Talvez exista alguma relação entre as redes sociais onde as pessoas expõem as suas vidas com a normalidade em expor as vidas das celebridades, porém no primeiro caso, a exposição é fruto único e exclusivo da vontade do personagem que se expõe, o que é completamente diferente do segundo.

Os aspectos negativos referentes a essa permissão quando colocados na balança tem um peso muito maior que o único aspecto positivo: entretenimento Precisamos debater mais esses assuntos que muitas vezes parecem bobeiras, mas que poderiam ajudar na eliminação de uma alienação e numa maior integração real dos indivíduos na sociedade.

E me desculpa Pedro Cardoso, mas meus inimigos nesse assunto são todos os envolvidos, os consumidores, os intermediários (fotógrafos, jornalista e funcionários) e o empresário.

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Por: Caio Mariani | www.afilosofia.com.br | caio@afilosofia.com.br | Imagem: agenciaicon.com.br

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*: Estão excluídos dessa análise de entretenimento e de todo o artigo os personagens políticos.