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Livre Arbítrio e Justiça

• 2369 dias astrás

Neste video do Daniel Dennett temos seu argumento contra os neurocientistas que afirmam a não existência do livre-arbítrio e na verdade tudo aponta para isso. Porém, o argumento dele se refere as consequências - a uma suposta extinção da moralidade e da ética - não a ontologia, a realidade da não existência do livre-arbítrio que os experimentos vem apontando. Se você não tem conhecimento sobre o debate a respeito do livre-arbitrio, acesse este artigo.



O conceito de responsabilidade deve ser revisto, deve ser visto como uma maneira de apontar o autor de determinada ação, por instância: o engenheiro calculista é responsável pelos cálculos que este fez da estrutura do prédio, se houver um problema, ou até um desabamento do prédio o engenheiro é o responsável, assim como o capitão do Costa Concórdia é o responsável pela tragédia do navio.

Dessa forma, a responsabilidade apenas tem o objetivo de apontar quem que deve ser avaliado, essa avaliação é no sentido de se aquele indivíduo possa ou não ter condições de fazer aquele determinado tipo de tarefa. Da mesma forma que avaliamos uma máquina que está quebrada, qual é a peça responsável pelo mal funcionamento desta? Descobrindo a peça, temos que a peça deve ser descartada ou consertada (se possível).

A sociedade no meu modo de ver, deveria se basear no mesmo principio, uma peça de uma máquina não precisa sofrer uma punição, porque é apenas uma peça, não tem culpa. O ser humano visto desse ponto de vista, também, ele deve ser concertado ou não, no caso do capitão no ponto de vista da não existência do livre-arbítrio, ele deve ser descartado, ou seja, não pode mais ter mais aquele cargo.

No caso de um assassino por exemplo, devemos primeiro tentar conserta-lo, ou seja, tentar adequá-lo, ensina-lo a conviver com a forma social estabelecida e não visar a punição, a vingança, claro que deve haver uma desmotivação para as atitudes que a forma social não considerada adequada, dessa forma essa adequação não deve ser satisfatória.

Mas o ensinar não significa apenas ensinar qual a forma social e o porquê de agir daquela maneira, mas também capacita-lo a alguma atividade profissional, se o sujeito se mostrar incapacitado de se adequar a forma social e voltar a assassinar, ele deve ser descartado, deve sofrer pena de morte. Assim como a peça de uma máquina.

O problema da pena de morte, é que a avaliação (condenação) pode não corresponder com o que aconteceu, escolher uma peça que não seja a que está causando o problema na máquina. E como a forma social tem como objetivo melhorar a convivência humana, escolher a peça errada e elimina-la vai contra todos os princípios da forma social. Então ainda é algo que deve ser questionado, e deve ser avaliado do ponto de vista se o ser humano já é capaz de avaliar de maneira muito próxima do perfeito.

Do outro ponto de vista, um ser humano que não tem capacidade para seguir as normas da forma social e sofre pena de prisão perpetua, também vai contra a forma social estabelecida, pois gera um custo que é pago por quem defende e age de acordo com a forma social.

Gostaria de ir mais afundo nesse tema, pois sempre existem aqueles indivíduos que parecem que tem medo de alguma coisa, e citam que a base desse argumento é falha, pois classificam-no como dentro da "falácia naturalista" de Moore, ou da "Guilhotina de Hume", porém o artigo iria ficar muito pesado.

Através dessa discussão totalmente atual da filosofia conseguimos perceber claramente como a filosofia é importante e guarda uma relação direta com a realidade do ser humano.

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Por: Caio Mariani | www.afilosofia.com.br | caio@afilosofia.com.br | Imagem: 1.bp.blogspot.com

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