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Hume (5)

• 2273 dias astrás

Continuação do artigo: Hume(4)

Estas conclusões são certamente desastrosas. Estas logicamente reduzem a idéia de Hume de que nenhum conhecimento é possível pela razão. Será que isso significa que a razão não pode nos dizer nada? Não há nada a ser aprendido a partir da experiência e da observação? Se não for lógico, então o que são as origens das idéias de causalidade, matéria e eu? Hábito, Hume responde. Todo o nosso raciocínio sobre a causa e o efeito é derivado de costume. Fomos tão acostumados com essas "sucessão de acontecimentos" que se tornaram um hábito. "Habitos, então, é o grande guia da vida humana" diz Hume. Seu ceticismo mostrou que o empirismo puro não dá base suficiente para a ciência, porque toda a ciência repousa sobre a idéia de causa e efeito. A questão levantada por Hume não é se o sol nascerá amanhã ou não, mas por que acredito que sim? Para Hume, acreditamos na causalidade por conta de nossos sentimentos, e não por causa da razão. Mas os sentimentos são subjetivos, e isso leva inevitavelmente à conclusão de que não há distinção entre o certo ou errado nestes casos.

Não há realmente nenhuma base racional para o princípio da indução? Este princípio, quando aplicado à causalidade, ou seja, se A é acompanhado ou seguido por B, e sem exceção ao que tem sido observado, então é provável que na próxima observação A será acompanhado por ou seguido de B. Este princípio dá só uma probabilidade, e não uma certeza. Considere, por exemplo, outro exemplo bruto da indução: temos observado corvos muitas vezes, e em todas essas observações os corvos são pretos. A partir daí, não podemos derivar a conclusão de que "Todos os corvos são pretos", porque nunca vimos todos os corvos. Nós só podemos dizer que é provável que o próximo corvo que encontramos vai ser preto, mas é certamente possível que um corvo branco pode existir que ainda não observamos. A única alternativa é aceitar o princípio da indução como um princípio lógico separado e independente, não derivado de dedução, mas esta aceitação em si não é logicamente necessária. A maioria dos filósofos estão convencidos de que a indução é válida em algum grau, mas o problema de mostrar como ou por que isso pode ser válido permanece sem solução. O problema da indução foi tratado também por Karl Popper, que é da opinião de que a ciência não se baseia no princípio da indução, e, portanto, está a salvo deste problema.

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Por: Caio Mariani | www.afilosofia.com.br | caio@afilosofia.com.br | Imagem: tattooedphilosopher.files.wordpress.com

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