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Albert Camus e Absurdismo (4)

• 2107 dias astrás

Continuação de Albert Camus e Absurdismo (3)

Por que o mito de Sísifo desperta pavor na maioria? Será que é porque a inutilidade da labuta interminável do personagem evoca horror? Talvez o mito nos cause tal sensação de desconforto por ser a metáfora de nossas próprias rotinas. Nossas vidas também são gastas em uma rotina de trabalho inútil, cujo fim ainda não está esclarecido. Mas isso não nos choca como castigo de Sísifo, porque não estamos conscientes disso. "Se esse mito é trágico, é porque o seu herói é consciente. Onde estaria a sua tortura de verdade, se ele tivesse esperança de sucesso a cada passo que ele desse?

O operário de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas, e esse destino não é menos absurdo". No entanto, Sísifo é superior ao seu destino, porque ele o aceitou. Ele permaneceria em tormento e desespero enquanto tivesse esperança ou um sonho de algo melhor. Porém, uma vez que se dá conta de que isso que sua vida é, que isto permanecerá e não há nada melhor para olhar adiante, ele não vai mais ser atormentado pelo absurdo de sua existência. Esta aceitação seria portanto a chave para a sua felicidade. Camus finaliza seu ensaio com as palavras: "É preciso imaginar Sísifo feliz." Vamos considerar o cenário: Sísifo aceitou plenamente a realidade de sua vida, mesmo que absurda. Agora, se ele não estivesse feliz, significaria que a felicidade só pode ser encontrada por algum tipo de ilusão, por meio de uma fuga da realidade. Temos que acreditar que Sísifo é feliz, se quisermos acreditar na felicidade genuína, uma felicidade que é real, porque é um resultado da consciência da realidade da própria vida.

Devemos notar que embora Camus veja a vida como um absurdo, ele não defende uma aceitação estoica das dificuldades e dos problemas da vida. O filósofo acreditava que a vida fosse valiosa, dedicando-se à diferentes atividades para ajudar os pobres e oprimidos.

Por: Caio Mariani | www.afilosofia.com.br | caio@afilosofia.com.br | Imagem: operamundi

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